BOTAS, TÊNIS OU PAPETE ?

Voltar

Que tipo de calçado escolher?

Uma bota resistente para proteger bem os pés durante uma travessia ou um tênis específico para trekking, com solado de borracha, flexível, que permita movimentos mais ágeis?

Ou o velho e confortável tênis de caminhada?

Ou ainda, as levíssimas e arejadas papetes?

A resposta seria: Depende…

Depende da temperatura/clima e época que você vai para o Caminho. Depende do tipo de terreno (quanto mais acidentado, mais você terá de proteger seus pés), da mobilidade com que vai se locomover, de quanto tempo fará a caminhada, só para citar dois exemplos.

As botas de trekking devem obedecer algumas recomendações para que o usuário tenha segurança sem perder muito do conforto, algo as vezes fundamental principalmente quando no caso do Caminho de Santiago a caminhada é longa e o terreno é variável. Há dois tipos de botas: a de cano longo e a meiuo-cano. A cano longo é muito recomendável, pois segura bem o tornozelo no caso de uma torção, além de ser uma proteção a mais contra entrada de insetos e pedrinhas, enquanto a de meio cano dá maior mobilidade para os pés. Alguns itens são importantes na aquisição de uma boa bota de caminhada: 1- Língua vedada e passadores externos para cadarço. Isso impede, ou pelo menos dificulta a entrada de poeira, pedrinhas e água; 2 – Forro interno no tornozelo e na palmilha feito de material absorvente e macio; 3 – Entressola macia (permite maior conforto e elasticidade); 4 -Contrafortes no bico e calcanhar para evitar deformações e proteção das extremidades dos pés; 5 – Solado interno adicional que impeça penetração de objetos pontiagudos; 6 – Solado externo com boa tração e aderência, permitindo a subida e a descida em ladeiras de baixa graduação e minimizando os inevitáveis escorregões nos terrenos muito acidentados; 7 – Ser resistente a água e possuir isolamento térmico. (Caso não seja , pode ser aplicado um spray para impermeabilização). A mesma regra serve para os que não gostam das botas mas se sentem seguros usando os tênis de trekking.

Mas você poderia até usar seu bom e velho par de tênis. Macio e habituado a seu passo, ele serviria muito bem para caminhar em locais com vegetação aberta, sem muito sobe e desce íngremes, sem terreno acidentado. Portanto lembre-se: invista neste tipo de equipamento. Calçados bons e funcionais não são apenas para posar nas fotos, mas sim itens de segurança.

Fique atento quanto ao solado resistente, conforto e absorção de impacto. As melhores marcas de tênis para trekking estão usando entresolas de borracha EVA que minimiza o impacto, e solado externo de borracha natural para melhor frenagem em terrenos com inclinação elevada e terreno acidentado e flexibilidade. Aliás, essa é uma das qualidades que os caminhantes de trilhas procuram nos calçados, que possa acompanhar os movimentos naturais dos pés, o que a bota rígida (de cano alto) deixa a desejar. O solado Vibram, recentemente tem acompanhado os calçados das marcas mais conhecidas do mercado como a Snake, San marco, Chiruca, Salomon, etc.. sendo um fator condicionante para uma boa compra.

Não deixe de ver também na hora da compra se as espumas internas são resistentes, se as palmilhas não esfarelam à primeira travessia de rio e se o tecido interno é de fácil evaporação.

No caso da sua opção ser a compra de uma papete, tenha sempre em mente que seus pés e tornozelos estão expostos a um maior risco de uma contusão por estarem mais desprotegidos. Mas se ainda assim você quer adquirir uma papete procure uma que tenha proteção na parte dianteira para prevenir-se de possíveis “topadas”, e que ao calçá-las você sinta que seus pés não estão “sambando” dentro da sandália. Para os (as) peregrinos (as)  “fashion” eu sei que é meio feio, mas o uso das papetes por longos períodos sem meias pode fazer surgir o inimigo público número um dos peregrinos – as bolhas – pela fricção direta dos tirantes do calçado com seus pés, portanto mesmo que as meias fiquem literalmente imundas ao fim de uma jornada, elas são fundamentais para lhe proporcionar um mlhor conforto e proteção.

Colaborador: Tácio Renato (AACS-Brasil)